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Adoçantes: como acertar na dose ao substituir o açúcar

Fonte: Adoçantes: como acertar na dose ao substituir o açúcar


Adoçantes: como acertar na dose ao substituir o açúcar

Os substitutos do açúcar identificados nas embalagens como edulcorantes são ótimos para quem tem diabetes ou deseja emagrecer. Atendem a vontade de comer doce sem causar picos de glicose no sangue ou extrapolar nas calorias, como acontece com o produto da cana. Mas vá com calma. O exagero faz o tiro sair pela culatra: favorece o ganho de peso, além de trazer outros riscos. Confira!

Por Cristina Nabuco Fotos Fabio Castelo
Quais são os adoçantes mais comuns?
A sacarina e o ciclamato, ambos sintéticos, extraídos de derivado de petróleo; o aspartame, produzido com dois aminoácidos achados em carnes, ovos, peixes e queijos (o ácido aspártico e a fenilalanina); o acesulfame K, sal de potássio feito com um ácido da família do vinagre; a estévia, originada de uma planta sul-americana, a Stevia reubadiana; e a sucralose (também chamado de açúcar invertido), que deriva da cana-de-açúcar. Existem ainda outros quatro adoçantes: frutose, retirada das frutas e do milho, e xilitol, manitol e sorbitol, alcoóis extraídos do açúcar. Mas eles são menos vantajosos para quem pretende enxugar gordurinhas: quase empatam com o açúcar nas calorias.
Todos adoçam igual?
Segundo o médico e nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), em comparação ao açúcar (oficialmente chamado de sacarose), o ciclamato adoça 30 vezes mais, a sacarina 400, o aspartame 200, o acesulfame K e a estévia de 300 a 400 vezes e a sucralose 600. Assim, são usados em menores quantidades que o açúcar.
Para quem os adoçantes são indicados?
Para todos que precisam restringir a ingestão de açúcar, seja em decorrência de doenças metabólicas (caso da diabetes) ou controlar calorias para a redução do peso.
Qualquer pessoa pode usar esses produtos?
Não é bem assim. "A sacarina, o ciclamato e o acesulfame K são contraindicados para hipertensos", avisa a nutricionista Andrea Teixeira Pires, do Rio de Janeiro. Quem tem distúrbios renais que precisam controlar a ingestão de potássio também deve manter distância do acesulfame K e as pessoas com fenilcetonúria, que não possuem a enzima para metabolizar a fenilalanina, não podem consumir aspartame. Já a estévia e a sucralose não têm restrições. "O uso moderado dessas duas substâncias é permitido inclusive para crianças e gestantes, com recomendação de um médico ou nutricionista, pois em geral ambas não são aconselhadas a consumir adoçantes", orienta Andrea. As futuras mamães devem observar esse cuidado principalmente no primeiro trimestre.
O risco de câncer existe?
Estudos com ratos que receberam doses altíssimas de sacarina e ciclamato apontaram o perigo de tumores. "Porém, trabalhos posteriores, publicados em revistas de grande impacto científico, não documentaram esse risco em humanos, nas doses preconizadas", diz Durval Ribas. Assim, o consumo dentro dos limites recomendados é considerado seguro.
E quanto ao aspartame?
Ele já foi acusado de provocar dores de cabeça, distúrbios visuais, esclerose múltipla, câncer no cérebro e até doença de Alzheimer, mas nada foi comprovado. De acordo com o nutrólogo Durval, um estudo envolvendo pesquisadores dos Estados Unidos, da Holanda e da Inglaterra publicado em 2007 na Revista de Toxicologia mostrou que não existem riscos.
Ouvi dizer que adoçantes engordam. É verdade?
Diretamente, não, pois trazem poucas calorias: um sachê de aspartame, sacarina, sucralose ou ciclamato (800 miligramas) tem 3 calorias; um de estévia tem menos ainda, 0,81 caloria, enquanto um de açúcar (6 gramas) tem 24 calorias. Mas indiretamente eles podem favorecer o ganho de peso. É que o cérebro não interpreta a ingestão de adoçante como a de um doce. E, na falta de glicose, pode estimular a produção de neurotransmissores que aumentam a vontade de comer bolos, bombons e guloseimas. Assim, para emagrecer não basta usar adoçantes. É preciso vigiar a dieta como um todo.
Quer dizer que adoçantes não matam a vontade de comer doce como o açúcar?
Apesar de agradar ao paladar, os adoçantes têm efeito local, isto é, agem apenas nas papilas gustativas da língua. Já o açúcar tem ação sistêmica, como explica Durval: "Ele cai na corrente sanguínea e chega ao cérebro, mais especificamente aos centros responsáveis pela fome e saciedade no hipotálamo, daí a capacidade de satisfazer nossa necessidade de glicose".
Tem algum que não deixa gosto metálico na boca?
A sacarina, o acesulfame K e a estévia têm sabor mais amargo. Já o aspartame e a sucralose não oferecem esse inconveniente. "Os fabricantes costumam misturar três ou mais tipos em doses baixas para evitar esse sabor residual", revela Durval. Por isso, é comum um produto ter um blend de vários edulcorantes. Mas cuidado: no ano passado, empresas de adoçantes à base de estévia foram multadas porque seus produtos tinham muito mais ciclamato do que a substância anunciada. Leia atentamente a embalagem para não correr o risco de levar gato por lebre.
Quais podem ir ao fogo?
Com exceção do aspartame, que tende a se degradar e perder a propriedade de adoçar, os demais adoçantes podem ser usados no preparo de bolos, informa a nutricionista Andrea. Mas, por precaução, antes de levar um adoçante ao fogo confira na embalagem se ele resiste ao calor.
Qual é o limite de consumo diário?
Depende do peso da pessoa: aspartame, 40 mg/kg; acesulfame K, 15 mg/kg; ciclamato, 11 mg/kg; estévia, 5,5 mg/kg; sacarina, 5 mg/kg; e sucralose, 15 mg/kg. Assim, quem pesa 65 quilos pode ingerir por dia, no máximo, 975 mg de acesulfame K; 2600 mg de aspartame; 715 mg de ciclamato; 357,5 mg de estévia; 325 mg de sacarina; e 715 mg de sucralose.
Como saber se esses valores foram atingidos?
Seria preciso somar todo adoçante consumido, não só os sachês ou gotinhas adicionados aos sucos e cafés mas também o que vier nos produtos diet, zero e light: bebidas, gelatinas, balas, biscoitos... Como nem sempre é viável fazer todas essas contas, a nutricionista dá algumas dicas para você não ultrapassar a recomendação. Limite-se a três sachês ou 25 gotas por dia; tome apenas uma lata de refrigerante light/zero; adquira produtos com adoçantes diferentes para não exceder nenhum, sobretudo o ciclamato, presente numa infinidade de alimentos; prefira os que contêm adoçantes naturais, como estévia e sucralose; e em algumas ocasiões, deixe o adoçante de lado e tente se acostumar ao sabor original dos alimentos, caso dos sucos de frutas naturalmente adocicadas.

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